PAULINHO ENTREVISTA .




Na primeira entrevista do Paulinho, eu resolvi trazer uma pessoa que acompanho nas redes sociais e admiro, não apenas pelo trabalho, mas pelo ser humano que é, pois o que ele faz pelo time, isso sim é amor.

Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo levam consigo milhões de torcedores, diversos apaixonados, loucos e amantes do time. A história de cada um foi construída ao longo de muitos anos, com diversas glórias e derrotas, campeonatos e torneios, mas todos, em boa parte, na elite do futebol carioca e nacional, com jogadores convocados e títulos mundiais na bagagem.

Então, podemos dizer que é "fácil" torcer para os gigantes do Rio, mas o que leva um ser humano a torcer por um Bonsucesso, um Olaria, um Resende? Podemos dizer que esses torcedores têm, no mínimo, 50 anos de idade, que viram as melhores versões dessas equipes e não conseguiram largar o amor por elas. Por saudade dos tempos antigos, por morar e ter uma história ligada aos bairros, podemos dar infinitas explicações. Mas como explicar um jovem que abre mão de torcer para um gigante e passa a torcer por um tradicional como o Resende?

Para situar nossos leitores, o Resende é uma equipe tradicional do Rio (raramente uso o termo "pequeno"). É um clube com mais de 100 anos de idade, fundado em 1909, na cidade de Resende. Um pequeno estádio municipal é onde manda seus jogos.

Chegou a ficar 30 anos fora de competições profissionais, retornando nos anos 2000 e mostrando uma força interessante de ser acompanhada. Em 2012 e 2013, fez seus melhores estaduais, ficando na quinta colocação em ambos os anos. Tem participações na Série D do Brasileirão e na Copa do Brasil, e desde 2008, foram 16 participações no Campeonato Estadual da Primeira Divisão.

Como principais títulos, tem duas Copas Rio e um Campeonato da Segunda Divisão. 

Talves para você, seja pouco para conquistar o coração e um torcedor , mas quando você decido remar contra a maré, é chamado de louco , estranho ou maluco. Àlvaro nunca torceu para os grandes times do centro e como ele mesmo disse : - "Escolhi torcer pelo Resende porque, além de ter nascido, crescido e vivido a vida toda no município, sempre fui muito engajado com as pautas de representatividade".

foto retirada do facebook do próprio 

Ele fez uma bela homenagem ao elenco campeão da Copa Rio 2022: 

Agora, vamos ver a entrevista feita com essa personalidade, torcedor e CEO da pagina "NOITE DE COPA", uma ótima página que recomendo todos acompanhar, não apenas amantes de futebol, mas para pesquisadores. 


PERGUNTA 1: Você administra a página @noitedecopa, de onde surgiu a ideia?

Resposta: A ideia surgiu em maio de 2023, por iniciativa minha e de outros cinco amigos que interagiam bastante em um grupo de futebol no Facebook. Com o tempo, as coisas foram se organizando, e no dia 20 de setembro de 2023, criamos o projeto, que acabou dando certo em um curtíssimo período de tempo.

PERGUNTA 2: Pelo que vimos, você é torcedor do Resende. Em que momento você escolheu torcer de forma fanática por um clube que não pertence aos grandes, e por que o Resende?

Resposta: Diferente de muitos jovens que acompanham futebol pelo Brasil, eu nunca torci para nenhuma outra equipe de maior investimento. Escolhi torcer pelo Resende porque, além de ter nascido, crescido e vivido a vida toda no município, sempre fui muito engajado com as pautas de representatividade. Em 2008, fui ao meu primeiro jogo, e pelo fato de o Resende estar em crescimento na época, isso contribuiu para que eu me tornasse uma presença ainda mais constante nas arquibancadas. Penso que minha trajetória traz uma representatividade aos mais jovens, que talvez não encontrassem motivação em prestigiar o clube da sua cidade apenas pelo fato de ele existir e representar os resendenses.

Atualmente, não deixo de ir a nenhum jogo desde 2020 e já somo 268 jogos apoiando o Gigante do Vale.

PERGUNTA 3: Como torcedor do Resende, pretende um dia ocupar um cargo no clube?

Resposta: Não, nunca foi e nem será meu intuito. Meu maior objetivo como torcedor do Resende Futebol Clube é ser a representação de torcedor fiel no Brasil e no mundo, carregar as cores e a instituição comigo por onde eu vou. Meu trabalho não precisa estar diretamente vinculado ao clube para que eu continue demonstrando apoio e tendo essa representatividade.

No entanto, tenho uma boa relação com os dirigentes do clube, apesar de os últimos dois anos não terem sido aquilo que eu esperava. Temos um diálogo normal. Sei que todos estamos unidos pelo mesmo objetivo, que é, algum dia, fazer o Resende voltar a incomodar seus adversários.

PERGUNTA 4: Você acha que a mídia poderia dar mais espaço a times como o Resende?

Resposta: É difícil cobrar. Sabemos que a mídia se sustenta por audiência e, querendo ou não, nossa audiência é bem menor do que a dos clubes de maior investimento. Penso que deveria haver mais programas ou quadros específicos para falar sobre os clubes de menor investimento, mas, sinceramente, não acredito que a mídia deva dedicar a maior parte do seu conteúdo a isso.

Acredito que esse trabalho deve ser feito principalmente por meio de ações de marketing, e nisso o Resende tem se destacado. Durante a pandemia, ficamos entre os 20 clubes mais comentados do Brasil graças ao Cartolouco, Cazé e demais influenciadores que fecharam parcerias com o clube na época.

Esse pioneirismo digital do Resende pode ser a chave para atrair o público mais jovem aos estádios, criando uma nova geração de torcedores que se identifiquem com o clube não só pelo futebol em campo, mas também pelo engajamento e presença online. Além disso, esse modelo pode servir de exemplo para outros clubes de menor investimento que buscam maior visibilidade e engajamento com seus torcedores.

PERGUNTA 5: Qual sua opinião sobre a FFERJ?

Resposta: Penso que a FFERJ é a principal responsável pelo declínio dos clubes de menor investimento no estado do Rio de Janeiro. Campeonatos com formatos questionáveis, a falta de um calendário adequado para todos os clubes durante boa parte do ano e as taxas abusivas tornam a existência dos clubes e sua saúde financeira extremamente difíceis.

Só o fato de um clube conseguir se manter 16 anos na elite estadual, como o Resende fez, já é algo extremamente desafiador, considerando que tudo no futebol do Rio de Janeiro joga contra, especialmente os clubes do interior, que historicamente sofreram mais do que os da capital. O Rio de Janeiro é o único estado do Brasil onde nenhum clube do interior foi campeão estadual, o que mostra o quanto as dificuldades são estruturais e profundas.

Além disso, a falta de incentivo para desenvolver talentos e a concentração de recursos nos grandes clubes tornam o cenário ainda mais desigual. Acredito que, sem uma reformulação profunda na gestão da FFERJ, os clubes menores continuarão enfrentando enormes barreiras para crescer e competir de forma justa. Isso não só prejudica o futebol como um todo, mas também priva o estado de uma maior diversidade e competitividade nas competições estaduais.


foto retirada do facebook 



ENTREVISTA FEITA PELO REPORTER E RESPONSÁVEL PELAS MIDIAS SOCIAIS PAULINHO DO PLANTÃO